They thought we were waiting. So adroitly we refuted the garden rose the gardener had to cross the street full of doubts. What mama said sometimes, whatever. Should Big Bob get his gift, without embarrassment whatsoever. That his own language is a harsh one, for we would need sometime with him at the garage. When mama put everything at sale I was reading Moby Dick. And O! I sailed. When she wanted to clean the house I knew she was trying to be over something. And it was better if we were just fine fooling around with books and some papers. And friends came by and brought old packets full of albums no one could tell. Even Big Bob catched up when the dusted sting stole the silence from my room. That we could take the road to something. Upper and left we'd like to go. Always. So told our socks and shoes and old fashioned guitars. And we already had the intuition women, gardens and roads were the same at some level. And we, we were too.
Luis Gustavo
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Da sedução dos anjos
Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa e mete-lhe
a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
Para que do choque no fim te não caia.
Exorta-o a que agite bem o cú
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido
Desde que entre o céu e a terra flutue –
Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.
Bertolt Brecht (tradução de Aires Graça)
Puxa-o só para dentro de casa e mete-lhe
a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
Para que do choque no fim te não caia.
Exorta-o a que agite bem o cú
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido
Desde que entre o céu e a terra flutue –
Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.
Bertolt Brecht (tradução de Aires Graça)
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
apontamento sobre os sonhos
Uno escribe para uno mismo.
Jorge Luis Borges
Quanto ficou de Borges no cinema, talvez, fosse bom perguntar. E difícil. Lembro do primeiro vislumbre que tive de Morangos Silvestres: no sonho do homem que sonhava, o sonhado jamais despertou. Sozinho em estação de trem, antiga e abandonada, alguém procura as horas no relógio sem ponteiros. Em preto-e-branco, a imagem denuncia a claridade imensa e insuportável do sonho, zona frequentemente obscura e de passagens, caminhos, lugares vedados. Foi sem querer que imaginei, no próprio protagonista do filme de Bergman, a imagem de Borges.
A visão onírica é, a um só tempo, metafórica e profética. A metáfora reside em redimensionar, para o plano figurado, a matéria insondável dos pensamentos: é como se o nosso corpo nos contasse, no sono, as soluções para problemas que o dia construiu em nós. Nesses casos, parece haver em nós um narrador que embaralha nossas próprias narrativas. Onisciente, só nos entrega no sono fragmentos de nossa própria história. A profecia, por outro lado, está em que o sonho talvez nos induza a traçar, com águas que dele descem, o nosso destino. Ainda é profético, porque nos ajuda a dissolver fronteiras e categorias que antes nos emperravam; e, por tudo isso, nos empurra para ação, quando é chegada a vigília.
Bibliotecas, labirintos, círculos ritualísticos de fogo. Os espaços do sono referenciam lugares materiais. Partimos do plano simbólico para o real, em uma espécie de sem-fim. Residimos não em uma dessas dimensões, mas no entre-elas. No duto por meio da qual ambas se retroalimentam. Mas se o feito sugere alguma dialética, o caminho é coisa diferente. Não há no círculo, no labirinto ou na biblioteca dois percursos idênticos. Estamos sempre tangenciando o caminho já feito, ainda que tentemos reproduzi-lo. E quando entramos no sonho, mesmo para feito inacabado, a imagem dissolvida, e que insistimos em reproduzir, transfigura a imagem passada para criar imagem nova. No labirinto, na biblioteca e nos círculos de fogo, o que nos move e o que nos mata é a busca. E ainda assim, buscamos.
Luis Gustavo
Jorge Luis Borges
Quanto ficou de Borges no cinema, talvez, fosse bom perguntar. E difícil. Lembro do primeiro vislumbre que tive de Morangos Silvestres: no sonho do homem que sonhava, o sonhado jamais despertou. Sozinho em estação de trem, antiga e abandonada, alguém procura as horas no relógio sem ponteiros. Em preto-e-branco, a imagem denuncia a claridade imensa e insuportável do sonho, zona frequentemente obscura e de passagens, caminhos, lugares vedados. Foi sem querer que imaginei, no próprio protagonista do filme de Bergman, a imagem de Borges.
A visão onírica é, a um só tempo, metafórica e profética. A metáfora reside em redimensionar, para o plano figurado, a matéria insondável dos pensamentos: é como se o nosso corpo nos contasse, no sono, as soluções para problemas que o dia construiu em nós. Nesses casos, parece haver em nós um narrador que embaralha nossas próprias narrativas. Onisciente, só nos entrega no sono fragmentos de nossa própria história. A profecia, por outro lado, está em que o sonho talvez nos induza a traçar, com águas que dele descem, o nosso destino. Ainda é profético, porque nos ajuda a dissolver fronteiras e categorias que antes nos emperravam; e, por tudo isso, nos empurra para ação, quando é chegada a vigília.
Bibliotecas, labirintos, círculos ritualísticos de fogo. Os espaços do sono referenciam lugares materiais. Partimos do plano simbólico para o real, em uma espécie de sem-fim. Residimos não em uma dessas dimensões, mas no entre-elas. No duto por meio da qual ambas se retroalimentam. Mas se o feito sugere alguma dialética, o caminho é coisa diferente. Não há no círculo, no labirinto ou na biblioteca dois percursos idênticos. Estamos sempre tangenciando o caminho já feito, ainda que tentemos reproduzi-lo. E quando entramos no sonho, mesmo para feito inacabado, a imagem dissolvida, e que insistimos em reproduzir, transfigura a imagem passada para criar imagem nova. No labirinto, na biblioteca e nos círculos de fogo, o que nos move e o que nos mata é a busca. E ainda assim, buscamos.
Luis Gustavo
24 de setembro
E nós viramos. Não sei bem se minério, se bichos, se humanos. Mas viramos. Não sei bem se a face, se o corpo, se do avesso. Viramos. Não sei bem se o copo, se as mágoas, se o rosto. Nós viramos. Não sei bem se humanos, se as mãos, se humanos. Sobre a cama, se de lado. Se a bituca do cigarro. Mas viramos. As gavetas, as estantes, as saudades, as mentiras. Nós viramos. O tempo quando virava nós viramos. A ampulheta, muitas vezes; e outras tantas não viramos. E mentimos. Com a alma pendurada nos cabides nossos corpos nós viramos. Como as almas revoltosas no assoalho vão passando. Viramos a cachaça, o calendário, o ano. Mas a página, não. A página tem verso em branco. E perversos, nós viramos, desviramos. O que há de proibido - tecer no silêncio outro tempo. Nós fizemos. Dois a um. Quantos nós nós nos viramos.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
DESCREVE O QUE ERA NAQUELE TEMPO A CIDADE DA BAHIA
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
Gregório de Matos
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
Gregório de Matos
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
O jardim de delícias terrenas, de Hieronymus Bosch
No site Khan Academy, comentários que ajudam a entender a pintura de Bosch. Pode-se escolher pelas legendas em português, no canto direito inferior do vídeo, em subtitles, options, Portuguese.
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